Muitos homens
nunca lerão um poema.
São homens
que bebem café,
tomam banho de rio,
tem filhos e um cachorro.
Poucos homens
conhecerão meus versos.
E o que direi a esses homens
nos meus versos?
Que também bebo café?
Que tenho saudade de casa?
Que há noites em que fico sem dormir?
Quem sabe ao invés de poemas,
talvez melhor seja
telefonar a cada um desses homens.
Há algo na poesia
que não se pode contar?
Aguardo respostas
para ajudar a rimar.
Sérgio Q Medeiros
sexta-feira, 27 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Incertezas
Guardo comigo
a triste certeza
de que pouco vou mudar.
É inútil ler livros,
ver filmes, ter filhos
ou me apaixonar de novo.
É inútil outra cerveja,
outra ida ao trabalho,
outra vida tão ligeira.
É inútil qualquer certeza.
Sérgio Q Medeiros
a triste certeza
de que pouco vou mudar.
É inútil ler livros,
ver filmes, ter filhos
ou me apaixonar de novo.
É inútil outra cerveja,
outra ida ao trabalho,
outra vida tão ligeira.
É inútil qualquer certeza.
Sérgio Q Medeiros
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Lançamento
Na próxima terça-feira (26/06), a partir das 18h, será
o lançamento de Poemas para ler na chuva, no espaço
da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, na Lapa:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php
Enquanto não chega o dia, gostaria de compartilhar com vocês
o texto gentilmente escrito por Ana Beatriz para a orelha do livro:
“Poemas para ler na chuva” é o segundo livro de Sérgio Medeiros e assim como “Um Lugar Azul” traz ao público o universo particular da poética do autor. Nesse universo figuram pequenas narrativas de homens comuns, homens divididos entre o peso e a leveza (insustentável) de suas memórias, homens com saudade de casa.
Cada poema acontece como uma cidade (do) interior, com sua singular e delicada tessitura de tempo. Um tempo de praças, bailes, missas de domingo e namoro no portão. No entanto, não se trata de uma geografia afastada das grandes metrópoles. Trata-se de uma geografia interior dos habitantes de uma capital qualquer, tentando lidar com o tédio, a solidão e os destinos previsíveis de novela.
A chuva, paisagem constante dos versos deste livro, aparece como o tempo que irrompe o fluxo programado da grande cidade. Um pequeno milagre que faz e desfaz romances “quase eternos” sob a marquise, que traz a lembrança de uma terra natal, que revela saudades e fantasmas na sacada. A chuva é o contra-fluxo, motor de uma antiga clepsidra, medindo um tempo íntimo.
É desse processo de encantar-se e desencantar-se, na fronteira de duas ou muitas cidades, que se constrói “Poemas para ler na chuva”. Uma coleção de refúgios e abrigos para épocas de pressa.
Ana Beatriz Rangel
o lançamento de Poemas para ler na chuva, no espaço
da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, na Lapa:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php
Enquanto não chega o dia, gostaria de compartilhar com vocês
o texto gentilmente escrito por Ana Beatriz para a orelha do livro:
“Poemas para ler na chuva” é o segundo livro de Sérgio Medeiros e assim como “Um Lugar Azul” traz ao público o universo particular da poética do autor. Nesse universo figuram pequenas narrativas de homens comuns, homens divididos entre o peso e a leveza (insustentável) de suas memórias, homens com saudade de casa.
Cada poema acontece como uma cidade (do) interior, com sua singular e delicada tessitura de tempo. Um tempo de praças, bailes, missas de domingo e namoro no portão. No entanto, não se trata de uma geografia afastada das grandes metrópoles. Trata-se de uma geografia interior dos habitantes de uma capital qualquer, tentando lidar com o tédio, a solidão e os destinos previsíveis de novela.
A chuva, paisagem constante dos versos deste livro, aparece como o tempo que irrompe o fluxo programado da grande cidade. Um pequeno milagre que faz e desfaz romances “quase eternos” sob a marquise, que traz a lembrança de uma terra natal, que revela saudades e fantasmas na sacada. A chuva é o contra-fluxo, motor de uma antiga clepsidra, medindo um tempo íntimo.
É desse processo de encantar-se e desencantar-se, na fronteira de duas ou muitas cidades, que se constrói “Poemas para ler na chuva”. Uma coleção de refúgios e abrigos para épocas de pressa.
Ana Beatriz Rangel
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Poemas para ler na chuva
Gostaria de convidar a todos para o lançamento de um livro chuvoso.
O lançamento será dia 26 de junho, das 18h às 21h, no espaço da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php
terça-feira, 8 de maio de 2012
Batata-doce e jerimum
Seu Cícero plantava
na vazante do meu avô.
Isso faz muitos anos.
Depois meu avô
vendeu a propriedade
e seu Cícero a deixou.
Mesmo sem plantar nas terras
seu Cícero manteve a amizade
até a morte do meu avô
e quando o visitava trazia
batata-doce e jerimum.
Seu Cícero gostava de cachaça,
mas meu avô não bebia
e dificilmente tinha
cachaça para oferecer.
Seu Cícero não se importava
e oferecia batata-doce e jerimum
como se tivessem sido
plantados há muitos anos
nas terras do meu avô.
Sérgio Q Medeiros
na vazante do meu avô.
Isso faz muitos anos.
Depois meu avô
vendeu a propriedade
e seu Cícero a deixou.
Mesmo sem plantar nas terras
seu Cícero manteve a amizade
até a morte do meu avô
e quando o visitava trazia
batata-doce e jerimum.
Seu Cícero gostava de cachaça,
mas meu avô não bebia
e dificilmente tinha
cachaça para oferecer.
Seu Cícero não se importava
e oferecia batata-doce e jerimum
como se tivessem sido
plantados há muitos anos
nas terras do meu avô.
Sérgio Q Medeiros
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Preciso escrever versos
Como tirar poemas do peito?
Preciso extrair versos
enquanto o peito ainda bate.
Não há notícias de máquinas
que recuperam rimas
de um coração morto.
Preciso escrever versos!
São tantas palpitações perdidas
em um dia sem versos,
e cada palpitação
me aproxima do fim.
Preciso escrever versos,
preciso expurgar os poemas do peito.
Sérgio Q Medeiros
Preciso extrair versos
enquanto o peito ainda bate.
Não há notícias de máquinas
que recuperam rimas
de um coração morto.
Preciso escrever versos!
São tantas palpitações perdidas
em um dia sem versos,
e cada palpitação
me aproxima do fim.
Preciso escrever versos,
preciso expurgar os poemas do peito.
Sérgio Q Medeiros
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Viagem de avião
O aeroporto é frio
e o preço do café
está nas nuvens.
A moça da companhia aérea
veste um bonito uniforme,
pena que deixou o gato
desfiar a meia calça.
Os passageiros formam
duas filas para embarcar:
à esquerda todos os que roem as unhas
e à direita os que tem medo de avião.
A aeromoça
cochila durante o voo
(espero que o piloto
tenha dormido bem).
O comandante
anuncia que em breve
sua filha vai casar.
Todos os passageiros
entre as fileiras quinze e vinte e dois
cumprimentam o comandante.
Após alguns avisos
sobre o traje apropriado
para o casamento
pousamos em um destino.
Desembarco e levo
os meus pertences
para o próximo avião.
Sérgio Q Medeiros
e o preço do café
está nas nuvens.
A moça da companhia aérea
veste um bonito uniforme,
pena que deixou o gato
desfiar a meia calça.
Os passageiros formam
duas filas para embarcar:
à esquerda todos os que roem as unhas
e à direita os que tem medo de avião.
A aeromoça
cochila durante o voo
(espero que o piloto
tenha dormido bem).
O comandante
anuncia que em breve
sua filha vai casar.
Todos os passageiros
entre as fileiras quinze e vinte e dois
cumprimentam o comandante.
Após alguns avisos
sobre o traje apropriado
para o casamento
pousamos em um destino.
Desembarco e levo
os meus pertences
para o próximo avião.
Sérgio Q Medeiros
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