Entre os meus poetas preferidos está Carlos Pena Filho, que nasceu no Recife e morreu aos 31 anos. Conheci as suas poesias através de Inês, que era minha amiga do canal #poesia do IRC. Carlos Pena Filho gostava de pintar as suas poesias de azul e muito mais.
Soneto do desmantelo azul
Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.
Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.
E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
Carlos Pena Filho
domingo, 27 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Entre calmo e apressado
Sempre compro um pão quente
Sempre compro
um pão quente
pra comer
com o café.
Sempre passo,
apressado,
a manteiga.
Já com medo
de o pão
logo esfriar.
Sempre gosto
de estar perto
de você.
Quando tenho,
entre os dedos,
o seu cabelo,
o meu desejo,
sempre e sempre,
é de nunca
mais perdê-lo.
Sérgio Medeiros
Sempre compro
um pão quente
pra comer
com o café.
Sempre passo,
apressado,
a manteiga.
Já com medo
de o pão
logo esfriar.
Sempre gosto
de estar perto
de você.
Quando tenho,
entre os dedos,
o seu cabelo,
o meu desejo,
sempre e sempre,
é de nunca
mais perdê-lo.
Sérgio Medeiros
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Um passeio de carroça
Carroças
No meio do tempo
e da sua pressa mesquinha
alguém cumpre sua missão,
conduzindo uma velha carroça
com uma mulinha velha
cansada de tanto apanhar.
Não carece, fazer sentir
o chicote mais.
Os condutores, são sujos,
talvez bem velhos,
talvez bem novos,
mas todos pobres.
Levando o destino,
ganhando o frete, devagar.
Eu pintaria todas as carroças,
para torná-las carruagens.
Sérgio Medeiros
No meio do tempo
e da sua pressa mesquinha
alguém cumpre sua missão,
conduzindo uma velha carroça
com uma mulinha velha
cansada de tanto apanhar.
Não carece, fazer sentir
o chicote mais.
Os condutores, são sujos,
talvez bem velhos,
talvez bem novos,
mas todos pobres.
Levando o destino,
ganhando o frete, devagar.
Eu pintaria todas as carroças,
para torná-las carruagens.
Sérgio Medeiros
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