O outono oferece
as folhas do pé de manga.
O chão
fica cheio delas
e a minha tia
varre e reclama.
Vi na TV
que no Japão
o outono oferece
flores de cerejeira.
Umas flores tão bonitas
que nem dá vontade
de varrer.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Passeio ao reino da seca
Disponho os meus ossos
junto à janela
para passear.
Da janela avisto
uma casa vermelha,
vazia.
Ao lado da casa,
dormem os ossos de um boi.
(Após o sol secar a carne,
ninguém cobriu de terra
os ossos do boi.)
O passeio prossegue
e a casa vermelha
some da minha janela.
Me seguem somente
a terra seca
e os galhos cinzas.
Meus ossos, fartos,
perguntam quando o passeio
será interrompido.
Logo, eu respondo.
junto à janela
para passear.
Da janela avisto
uma casa vermelha,
vazia.
Ao lado da casa,
dormem os ossos de um boi.
(Após o sol secar a carne,
ninguém cobriu de terra
os ossos do boi.)
O passeio prossegue
e a casa vermelha
some da minha janela.
Me seguem somente
a terra seca
e os galhos cinzas.
Meus ossos, fartos,
perguntam quando o passeio
será interrompido.
Logo, eu respondo.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Distante
O vento levou um homem
a uma terra distante
e o esqueceu lá.
Os amigos, aflitos,
procuraram o homem
até o final da rua
e nunca o encontraram.
O homem,
esquecido pela brisa,
distante resolveu ficar.
Na terra nova
não foi triste
nem contente.
Casou com Madalena,
que lembrava Rosinha,
sua antiga companheira.
Morreu num dia
de vento forte,
quando saía de casa.
Quem sabe para comprar pão,
quem sabe para retornar.
Sérgio Q Medeiros
a uma terra distante
e o esqueceu lá.
Os amigos, aflitos,
procuraram o homem
até o final da rua
e nunca o encontraram.
O homem,
esquecido pela brisa,
distante resolveu ficar.
Na terra nova
não foi triste
nem contente.
Casou com Madalena,
que lembrava Rosinha,
sua antiga companheira.
Morreu num dia
de vento forte,
quando saía de casa.
Quem sabe para comprar pão,
quem sabe para retornar.
Sérgio Q Medeiros
terça-feira, 25 de junho de 2013
Areia Branca
Já não há ruas
para homenagear os mortos.
As placas lembram somente
de coisas
de há muito tempo.
No passado, parece,
havia muitos generais.
Alguns receberam avenidas largas,
os outros, por certo,
não venceram muitas batalhas.
Agora vão mudar
os nomes das praias.
A praia de Areia Branca
será José Pinto Silveira.
Areia Branca será
pura memória.
Sérgio Q Medeiros
para homenagear os mortos.
As placas lembram somente
de coisas
de há muito tempo.
No passado, parece,
havia muitos generais.
Alguns receberam avenidas largas,
os outros, por certo,
não venceram muitas batalhas.
Agora vão mudar
os nomes das praias.
A praia de Areia Branca
será José Pinto Silveira.
Areia Branca será
pura memória.
Sérgio Q Medeiros
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terça-feira, 4 de junho de 2013
25 de março
Um dia,
quando já não lembrava de mim,
fiz um poema pra minha avó.
Minha avó nunca leu o poema,
não conhecia as letras.
A vida não estava nos livros,
nem nos planos econômicos.
Quando faltou dinheiro
pra completar a feira,
minha avó foi ao quarto e trouxe
notas cheias de zeros
e com nenhum valor.
A vida era fazer doces,
cuidar das galinhas
e costurar uma roupa nova
para o liquidificador.
A vida, no fim,
era um desejo
de voltar pra casa do pai.
Hoje ela voltou.
Sérgio Q Medeiros
quando já não lembrava de mim,
fiz um poema pra minha avó.
Minha avó nunca leu o poema,
não conhecia as letras.
A vida não estava nos livros,
nem nos planos econômicos.
Quando faltou dinheiro
pra completar a feira,
minha avó foi ao quarto e trouxe
notas cheias de zeros
e com nenhum valor.
A vida era fazer doces,
cuidar das galinhas
e costurar uma roupa nova
para o liquidificador.
A vida, no fim,
era um desejo
de voltar pra casa do pai.
Hoje ela voltou.
Sérgio Q Medeiros
terça-feira, 30 de abril de 2013
Estação
Escuto o trem apitar,
mas não é hoje
que parte o meu.
Recupero o passo
e permaneço
a fazer o mesmo.
Acordo às sete
e respeito o horário
das refeições.
Escolho com esmero
a cor da roupa
das reuniões.
Todos os dias
faço ótimos contatos.
Depois do jantar
recolho papéis.
Entre cartões de visita
nunca encontro
o bilhete do trem
que não comprei.
Sérgio Q Medeiros
mas não é hoje
que parte o meu.
Recupero o passo
e permaneço
a fazer o mesmo.
Acordo às sete
e respeito o horário
das refeições.
Escolho com esmero
a cor da roupa
das reuniões.
Todos os dias
faço ótimos contatos.
Depois do jantar
recolho papéis.
Entre cartões de visita
nunca encontro
o bilhete do trem
que não comprei.
Sérgio Q Medeiros
terça-feira, 12 de março de 2013
Guardados
Guardo comigo a tristeza
e os meus melhores poemas.
O restante
é de domínio público,
está exposto em sorrisos
e livros não folheados.
A página oitenta e um
diz muito sobre mim.
Verifique se pode encontrá-la
junto ao seu distribuidor local.
Em todo caso, escreva-me.
Há palavras que eu ainda
só consigo dizer por carta.
Sérgio Q Medeiros
e os meus melhores poemas.
O restante
é de domínio público,
está exposto em sorrisos
e livros não folheados.
A página oitenta e um
diz muito sobre mim.
Verifique se pode encontrá-la
junto ao seu distribuidor local.
Em todo caso, escreva-me.
Há palavras que eu ainda
só consigo dizer por carta.
Sérgio Q Medeiros
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