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terça-feira, 25 de junho de 2013

Areia Branca

Já não há ruas
para homenagear os mortos.

As placas lembram somente
de coisas
de há muito tempo.

No passado, parece,
havia muitos generais.

Alguns receberam avenidas largas,
os outros, por certo,
não venceram muitas batalhas.

Agora vão mudar
os nomes das praias.

A praia de Areia Branca
será José Pinto Silveira.

Areia Branca será
pura memória.

Sérgio Q Medeiros

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pequena explicação sobre escrever

Uma vez estava conversando com a minha amiga Natalia e ela me perguntou como comecei a escrever poesia. Respondi que quando ficava entediado tinha vontade de escrever. Ela então me disse:

- Se sentia vontade de escrever, então é porque você já era um escritor, eu nunca teria feito isso.

Fiquei um tempo pensando no que ela me disse, pois antes achava que todos sentissem essa vontade de rabiscar algo.

Pouco depois, ao ver um homem morrer na rua, senti esse desejo novamente.


O homem que andava pela rua

Quando o homem
que andava pela rua
caiu e morreu,
não lhe dei a mão.

Não o abracei,
não rezei por ele,
nem tentei, inultilmente, ajudá-lo.

Quando o homem
caiu e morreu,
passei apressado ao seu lado
e numa pequena banca
comprei um lápis.

Com o lápis,
escrevi este poema.

Um poema
que não fala de heróis,
de poetas audazes,
ou de nobres ideais.

Mas lembra o meu companheiro,
desconhecido,
que caminhava pela rua
e está morto no chão.

Sérgio Medeiros