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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lá vem a poesia soprando

A poesia passa
como um vento
que varre
as folhas das árvores.

Algumas se deixam levar
e vão balançar
ao sabor do vento,
andar por muitos lugares
e quem sabe
nunca voltar.

Outras ficam por lá,
e caem no chão,
tendo um breve momento
a saborear.

Outras folhas
nunca caem.
E contam muitas histórias
de quem ficou e partiu.

De quem o vento levou,
de quem o vento deixou,
daquela noite bonita,
num dia que fez tamanha ventania,
que até a folha mais firme
se deixou levar pela poesia.

Sérgio Medeiros

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Amarelo

Muitas vezes eu não sei muito o que fazer ou para onde ir e tenho sempre a sensação que deveria estar fazendo algo diferente ou ir para outro lugar.

Tenho um pensamento do tipo "happiness is always somewhere else" (a felicidade está sempre em algum outro lugar), que se por um lado te faz buscar coisas novas, por outro não te deixa aproveitar muito o momento.


Amarelo

O amarelo dourado
é coberto pelo azul.

O azul cobre e descobre.

Os pés no amarelo fofo
caminham com dificuldade,
para chegar aonde
não sabem se querem ir.

Talvez sigam o vento,
que vem de longe,
e longe sempre é um bom lugar
com o qual se pode sonhar
e fazer planos,
que nunca cairiam bem
se fossem para acontecer
na vila vizinha.

Sérgio Medeiros