Ao escutar o badalar
do sino no alto da torre,
os homens, mecanicamente,
ajustam os relógios.
O tempo, tão contido nos relógios,
controla quando cabe aos homens comer
e quando devem jejuar.
Após uma certa quantidade de tempo,
urge que os homens se enfeitem
e reúnam outros homens pra comemorar.
Em toda parte os homens aguardam
o tempo de fazer poesia,
o tempo de rimar versos
e de os rasgar.
O tempo diz aos homens
quando esconder suas marcas no rosto
e quando já não importa mais.
O tempo não se importa com os homens.
Sérgio Q Medeiros
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quinta-feira, 5 de março de 2009
O Guarda
Quando eu passo e olho os guardas da rua, quase sempre eles estão com um ar de monotonia (se é à noite eles estão dormindo :-)), sentados na cadeira, esperando alguma coisa acontecer. Em uma rua calma, o guarda só espera o tempo passar.
Para aquele guarda
Para aquele guarda
que toma conta da rua,
o tempo passa
como alguém que quer ficar.
As casas,
quase todas de muro alto,
não permitem adivinhar
o que se passa ali dentro,
onde a vida, pensa o guarda,
deve ser tão boa.
Afinal, pensar,
mesmo que em nada,
é o que mais se faz,
além de olhar a rua mansa.
Um carro passa
e arrasta consigo
um pouco da monotonia.
Nosso guarda se espreguiça
e mira o relógio
com um fingido interesse,
sem prestar atenção nos ponteiros.
O que ele deseja
não tem hora pra acontecer.
Mas o guarda,
espera e torce:
ah, se Rosa aparecesse…
Sérgio Medeiros
Para aquele guarda
Para aquele guarda
que toma conta da rua,
o tempo passa
como alguém que quer ficar.
As casas,
quase todas de muro alto,
não permitem adivinhar
o que se passa ali dentro,
onde a vida, pensa o guarda,
deve ser tão boa.
Afinal, pensar,
mesmo que em nada,
é o que mais se faz,
além de olhar a rua mansa.
Um carro passa
e arrasta consigo
um pouco da monotonia.
Nosso guarda se espreguiça
e mira o relógio
com um fingido interesse,
sem prestar atenção nos ponteiros.
O que ele deseja
não tem hora pra acontecer.
Mas o guarda,
espera e torce:
ah, se Rosa aparecesse…
Sérgio Medeiros
sábado, 6 de dezembro de 2008
O Homem Sem Tempo
Essa já segue um estilo mais lírico da coisa, se é
que eu posso dizer isso :-)
O Homem Sem Tempo
O homem sem tempo
caminha reto pela rua
e olha para o relógio no braço
calculando o tempo que perde
a cada sua passada.
O tempo é medido, é contido
e não se perde com coisas bobas
Trinta minutos pra almoçar,
vinte pra chegar ao trabalho,
quarenta e oito pra assinar papéis,
e mais dez pra ler poesia.
O homem sem tempo está preocupado,
perdeu dois minutos hoje procurando os sapatos.
O homem sem tempo,
já não gosta de mais nada, nem tem tempo...
mas repete os mesmos passos
e já nem se lembra do tempo
em que tinha tempo
pra fazer qualquer coisa
com o momento.
Sérgio Medeiros
que eu posso dizer isso :-)
O Homem Sem Tempo
O homem sem tempo
caminha reto pela rua
e olha para o relógio no braço
calculando o tempo que perde
a cada sua passada.
O tempo é medido, é contido
e não se perde com coisas bobas
Trinta minutos pra almoçar,
vinte pra chegar ao trabalho,
quarenta e oito pra assinar papéis,
e mais dez pra ler poesia.
O homem sem tempo está preocupado,
perdeu dois minutos hoje procurando os sapatos.
O homem sem tempo,
já não gosta de mais nada, nem tem tempo...
mas repete os mesmos passos
e já nem se lembra do tempo
em que tinha tempo
pra fazer qualquer coisa
com o momento.
Sérgio Medeiros
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