Minhas palavras
não falam alto.
Parecem mais murmurar
para a pessoa ao lado,
ou para si mesmas.
São palavras
que caminham caladas,
com as mãos no bolso,
e esperam em silêncio na fila.
Talvez sejam palavras
apenas pra se olhar.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Luta vã
Embora escreva
não há versos no papel.
Há apenas palavras
que não se dão as mãos.
Tento aproximá-las
mas esta parece
ser uma luta vã.
Deixo então que durmam,
quem sabe um sono puro
as transforme em irmãs.
Sérgio Q Medeiros
não há versos no papel.
Há apenas palavras
que não se dão as mãos.
Tento aproximá-las
mas esta parece
ser uma luta vã.
Deixo então que durmam,
quem sabe um sono puro
as transforme em irmãs.
Sérgio Q Medeiros
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Poucas palavras
Alguns casais
fazem um tímido
uso das palavras.
Seus almoços exigem
cinco ou seis delas,
a sobremesa mais uma,
e outras três são necessárias
para a sopa no jantar.
Com o tempo
inventaram formas eficientes
de se comunicarem.
Uma piscadela para o sal,
uma leve tosse para o purê de batatas,
e um discreto toque da mão direita
na orelha esquerda
para indicar um novo amante.
Sérgio Q Medeiros
fazem um tímido
uso das palavras.
Seus almoços exigem
cinco ou seis delas,
a sobremesa mais uma,
e outras três são necessárias
para a sopa no jantar.
Com o tempo
inventaram formas eficientes
de se comunicarem.
Uma piscadela para o sal,
uma leve tosse para o purê de batatas,
e um discreto toque da mão direita
na orelha esquerda
para indicar um novo amante.
Sérgio Q Medeiros
terça-feira, 6 de julho de 2010
Onde nascem as palavras
As minhas palavras
se escondem
no começo da linha.
Quando arrisco
um verso longo,
nas últimas palavras
há um certo tremor.
Coração mole que sou,
me comovo com as palavras,
que receiam atravessar
a metade da linha.
Trago-as então
pro começo da linha,
pra onde nascem
as palavras.
Gosto de começar versos,
que talvez sejam
o começo de mim mesmo.
Sérgio Medeiros
se escondem
no começo da linha.
Quando arrisco
um verso longo,
nas últimas palavras
há um certo tremor.
Coração mole que sou,
me comovo com as palavras,
que receiam atravessar
a metade da linha.
Trago-as então
pro começo da linha,
pra onde nascem
as palavras.
Gosto de começar versos,
que talvez sejam
o começo de mim mesmo.
Sérgio Medeiros
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