O vento
afaga a areia
da praia deserta.
Com o início da chuva
todos os homens
foram embora.
O mar,
agora um artista solitário,
parece arrebentar mais forte.
Suas ondas,
como a mostrar
que não são movidas
por trajes de banho coloridos,
buscam com redobrada ânsia
o impacto com as rochas.
Após cada encontro,
uma branca espuma
cobre e descobre
o negrume da rocha.
Não há intervalo.
O espetáculo
não pode parar.
Sérgio Q Medeiros
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O espetáculo vai começar

Espetáculo
Quando a luz vermelha acende
e os carros param no sinal
procurando seu lugar,
os motoristas se ajeitam no assento
pois o espetáculo, já vai começar.
Os intrépidos malabaristas
se apresentam primeiro
com suas bolas de tênis
de um amarelo
já quase sem cor.
No intervalo, oferecem balas
colocadas apressadamente
em cada retrovisor.
Depois vem o número chato
que usa espuma e sabão,
e que ninguém parece gostar.
Com poucos segundos para o fim,
começa o último ato,
com aquela moça,
de carnes magras,
que brinca com o fogo
e depois o engole.
Bravo, bravo! (alguns diriam)
Contudo, não há aplausos...
A luz verde se acende,
e o público vai-se dirigindo,
embora sem saber,
para o próximo espetáculo.
Sérgio Medeiros
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