As botas dos soldados caminham
pela Avenida Treze de Maio,
antiga Quinze de Fevereiro.
Os chefes dos soldados,
por alguma razão,
não gostavam do velho nome.
Em treze de maio,
essas botas marcharam
pela primeira vez sobre fevereiro.
Com isso decretaram
o fim do tempo antigo.
São botas que parecem
controlar o tempo,
mas não seus passos.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Palavras para o alto
Minhas palavras
não falam alto.
Parecem mais murmurar
para a pessoa ao lado,
ou para si mesmas.
São palavras
que caminham caladas,
com as mãos no bolso,
e esperam em silêncio na fila.
Talvez sejam palavras
apenas pra se olhar.
não falam alto.
Parecem mais murmurar
para a pessoa ao lado,
ou para si mesmas.
São palavras
que caminham caladas,
com as mãos no bolso,
e esperam em silêncio na fila.
Talvez sejam palavras
apenas pra se olhar.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Quase vazia
Acordei na mesma casa,
quase vazia.
Sobre a pia do banheiro
sem espelho
a mesma escova
e o mesmo creme dental.
Por todo lado
o mesmo espaço
das casas quase vazias.
Um espaço
especialmente irritante
pela sua constância,
por lembrar algo
a se ocupar.
Ontem à noite
fui à padaria
e hoje acordei
na mesma casa,
quase vazia,
com pães para o café.
Quando acordei
os pães preenchiam
o espaço da casa
quase vazia.
Cada pão me dizia
que cada coisa
estava em seu lugar.
quase vazia.
Sobre a pia do banheiro
sem espelho
a mesma escova
e o mesmo creme dental.
Por todo lado
o mesmo espaço
das casas quase vazias.
Um espaço
especialmente irritante
pela sua constância,
por lembrar algo
a se ocupar.
Ontem à noite
fui à padaria
e hoje acordei
na mesma casa,
quase vazia,
com pães para o café.
Quando acordei
os pães preenchiam
o espaço da casa
quase vazia.
Cada pão me dizia
que cada coisa
estava em seu lugar.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Finados
Finados é um dia nublado.
Conseguem os mortos
enxergar as nuvens
tão cinzas no céu?
O cinza das nuvens
não diminui o afeto
dos que saíram de casa
em busca de flores.
A cada ano
se compram mais flores.
Para cada nuvem cinza
há uma flor
e tão bonita
é a sua cor.
Conseguem os mortos
enxergar as nuvens
tão cinzas no céu?
O cinza das nuvens
não diminui o afeto
dos que saíram de casa
em busca de flores.
A cada ano
se compram mais flores.
Para cada nuvem cinza
há uma flor
e tão bonita
é a sua cor.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Um novo verso
Escrevi um verso
que agora faz
parte de mim.
Um verso tão próximo
veio espantar a loucura
e dissipar os medos
que são quase eu mesmo.
Escreverei outro
ou repetirei palavras
disponíveis em tabelas
de senos e cossenos?
Enquanto aguardo
um novo verso
afasto fantasmas
com gotas de álcool
e retratos de mulheres.
que agora faz
parte de mim.
Um verso tão próximo
veio espantar a loucura
e dissipar os medos
que são quase eu mesmo.
Escreverei outro
ou repetirei palavras
disponíveis em tabelas
de senos e cossenos?
Enquanto aguardo
um novo verso
afasto fantasmas
com gotas de álcool
e retratos de mulheres.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Sábado
Eu era sábado
e chovia no fim da tarde.
A embalagem dizia:
leve cem e pague oitenta.
Eu pagaria duzentos
pra me levar a outro lugar.
Uma cerveja é o preço
pra ser cúmplice dos homens.
Um velho barco
atravessa o rio de novo.
Em Juazeiro
também há barcos assim.
Encho o copo.
Da varanda do mercado
quantas vezes vou ver
esse barco passar?
e chovia no fim da tarde.
A embalagem dizia:
leve cem e pague oitenta.
Eu pagaria duzentos
pra me levar a outro lugar.
Uma cerveja é o preço
pra ser cúmplice dos homens.
Um velho barco
atravessa o rio de novo.
Em Juazeiro
também há barcos assim.
Encho o copo.
Da varanda do mercado
quantas vezes vou ver
esse barco passar?
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Outono
O outono oferece
as folhas do pé de manga.
O chão
fica cheio delas
e a minha tia
varre e reclama.
Vi na TV
que no Japão
o outono oferece
flores de cerejeira.
Umas flores tão bonitas
que nem dá vontade
de varrer.
as folhas do pé de manga.
O chão
fica cheio delas
e a minha tia
varre e reclama.
Vi na TV
que no Japão
o outono oferece
flores de cerejeira.
Umas flores tão bonitas
que nem dá vontade
de varrer.
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