quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lançamento

Na próxima terça-feira (26/06), a partir das 18h, será
o lançamento de Poemas para ler na chuva, no espaço
da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, na Lapa:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php

Enquanto não chega o dia, gostaria de compartilhar com vocês
o texto gentilmente escrito por Ana Beatriz para a orelha do livro:

“Poemas para ler na chuva” é o segundo livro de Sérgio Medeiros e assim como “Um Lugar Azul” traz ao público o universo particular da poética do autor. Nesse universo figuram pequenas narrativas de homens comuns, homens divididos entre o peso e a leveza (insustentável) de suas memórias, homens com saudade de casa.

Cada poema acontece como uma cidade (do) interior, com sua singular e delicada tessitura de tempo. Um tempo de praças, bailes, missas de domingo e namoro no portão. No entanto, não se trata de uma geografia afastada das grandes metrópoles. Trata-se de uma geografia interior dos habitantes de uma capital qualquer, tentando lidar com o tédio, a solidão e os destinos previsíveis de novela.

A chuva, paisagem constante dos versos deste livro, aparece como o tempo que irrompe o fluxo programado da grande cidade. Um pequeno milagre que faz e desfaz romances “quase eternos” sob a marquise, que traz a lembrança de uma terra natal, que revela saudades e fantasmas na sacada. A chuva é o contra-fluxo, motor de uma antiga clepsidra, medindo um tempo íntimo.

É desse processo de encantar-se e desencantar-se, na fronteira de duas ou muitas cidades, que se constrói “Poemas para ler na chuva”. Uma coleção de refúgios e abrigos para épocas de pressa.

Ana Beatriz Rangel

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Poemas para ler na chuva





Gostaria de convidar a todos para o lançamento de um livro chuvoso.

O lançamento será dia 26 de junho, das 18h às 21h, no espaço da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php

terça-feira, 8 de maio de 2012

Batata-doce e jerimum

Seu Cícero plantava
na vazante do meu avô.

Isso faz muitos anos.

Depois meu avô
vendeu a propriedade
e seu Cícero a deixou.

Mesmo sem plantar nas terras
seu Cícero manteve a amizade
até a morte do meu avô
e quando o visitava trazia
batata-doce e jerimum.

Seu Cícero gostava de cachaça,
mas meu avô não bebia
e dificilmente tinha
cachaça para oferecer.

Seu Cícero não se importava
e oferecia batata-doce e jerimum
como se tivessem sido
plantados há muitos anos
nas terras do meu avô.

Sérgio Q Medeiros

terça-feira, 24 de abril de 2012

Preciso escrever versos

Como tirar poemas do peito?

Preciso extrair versos
enquanto o peito ainda bate.

Não há notícias de máquinas
que recuperam rimas
de um coração morto.

Preciso escrever versos!

São tantas palpitações perdidas
em um dia sem versos,
e cada palpitação
me aproxima do fim.

Preciso escrever versos,
preciso expurgar os poemas do peito.

Sérgio Q Medeiros

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Viagem de avião

O aeroporto é frio
e o preço do café
está nas nuvens.

A moça da companhia aérea
veste um bonito uniforme,
pena que deixou o gato
desfiar a meia calça.

Os passageiros formam
duas filas para embarcar:
à esquerda todos os que roem as unhas
e à direita os que tem medo de avião.

A aeromoça
cochila durante o voo
(espero que o piloto
tenha dormido bem).

O comandante
anuncia que em breve
sua filha vai casar.

Todos os passageiros
entre as fileiras quinze e vinte e dois
cumprimentam o comandante.

Após alguns avisos
sobre o traje apropriado
para o casamento
pousamos em um destino.

Desembarco e levo
os meus pertences
para o próximo avião.

Sérgio Q Medeiros

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ritmo dissoluto

Me enfeito
quando é carnaval.

Vou a bailes,
conheço máscaras
e pouco durmo.

Toco bocas
tão ansiosas
quanto a minha.

Muito pouco
tenho guardado
dessas bocas.

Nesses dias,
minha mulher
fica com um jeito
triste nos olhos,
mas permanece comigo.

Joana compreende
que o carnaval
logo passará.

Sérgio Q Medeiros

quarta-feira, 7 de março de 2012

Casulo

Escrevo palavras
para me esconder.

Procuro abrigo
nos meus versos.

Construo um casulo
com as mais belas letras
e nele dorme agora
uma triste borboleta.

Sérgio Q Medeiros