Na próxima terça-feira (26/06), a partir das 18h, será
o lançamento de Poemas para ler na chuva, no espaço
da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, na Lapa:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php
Enquanto não chega o dia, gostaria de compartilhar com vocês
o texto gentilmente escrito por Ana Beatriz para a orelha do livro:
“Poemas para ler na chuva” é o segundo livro de Sérgio Medeiros e assim como “Um Lugar Azul” traz ao público o universo particular da poética do autor. Nesse universo figuram pequenas narrativas de homens comuns, homens divididos entre o peso e a leveza (insustentável) de suas memórias, homens com saudade de casa.
Cada poema acontece como uma cidade (do) interior, com sua singular e delicada tessitura de tempo. Um tempo de praças, bailes, missas de domingo e namoro no portão. No entanto, não se trata de uma geografia afastada das grandes metrópoles. Trata-se de uma geografia interior dos habitantes de uma capital qualquer, tentando lidar com o tédio, a solidão e os destinos previsíveis de novela.
A chuva, paisagem constante dos versos deste livro, aparece como o tempo que irrompe o fluxo programado da grande cidade. Um pequeno milagre que faz e desfaz romances “quase eternos” sob a marquise, que traz a lembrança de uma terra natal, que revela saudades e fantasmas na sacada. A chuva é o contra-fluxo, motor de uma antiga clepsidra, medindo um tempo íntimo.
É desse processo de encantar-se e desencantar-se, na fronteira de duas ou muitas cidades, que se constrói “Poemas para ler na chuva”. Uma coleção de refúgios e abrigos para épocas de pressa.
Ana Beatriz Rangel
quinta-feira, 21 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Poemas para ler na chuva
Gostaria de convidar a todos para o lançamento de um livro chuvoso.
O lançamento será dia 26 de junho, das 18h às 21h, no espaço da editora Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro:
www.editoramultifoco.com.br/espaco-livraria.php
terça-feira, 8 de maio de 2012
Batata-doce e jerimum
Seu Cícero plantava
na vazante do meu avô.
Isso faz muitos anos.
Depois meu avô
vendeu a propriedade
e seu Cícero a deixou.
Mesmo sem plantar nas terras
seu Cícero manteve a amizade
até a morte do meu avô
e quando o visitava trazia
batata-doce e jerimum.
Seu Cícero gostava de cachaça,
mas meu avô não bebia
e dificilmente tinha
cachaça para oferecer.
Seu Cícero não se importava
e oferecia batata-doce e jerimum
como se tivessem sido
plantados há muitos anos
nas terras do meu avô.
Sérgio Q Medeiros
na vazante do meu avô.
Isso faz muitos anos.
Depois meu avô
vendeu a propriedade
e seu Cícero a deixou.
Mesmo sem plantar nas terras
seu Cícero manteve a amizade
até a morte do meu avô
e quando o visitava trazia
batata-doce e jerimum.
Seu Cícero gostava de cachaça,
mas meu avô não bebia
e dificilmente tinha
cachaça para oferecer.
Seu Cícero não se importava
e oferecia batata-doce e jerimum
como se tivessem sido
plantados há muitos anos
nas terras do meu avô.
Sérgio Q Medeiros
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Preciso escrever versos
Como tirar poemas do peito?
Preciso extrair versos
enquanto o peito ainda bate.
Não há notícias de máquinas
que recuperam rimas
de um coração morto.
Preciso escrever versos!
São tantas palpitações perdidas
em um dia sem versos,
e cada palpitação
me aproxima do fim.
Preciso escrever versos,
preciso expurgar os poemas do peito.
Sérgio Q Medeiros
Preciso extrair versos
enquanto o peito ainda bate.
Não há notícias de máquinas
que recuperam rimas
de um coração morto.
Preciso escrever versos!
São tantas palpitações perdidas
em um dia sem versos,
e cada palpitação
me aproxima do fim.
Preciso escrever versos,
preciso expurgar os poemas do peito.
Sérgio Q Medeiros
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Viagem de avião
O aeroporto é frio
e o preço do café
está nas nuvens.
A moça da companhia aérea
veste um bonito uniforme,
pena que deixou o gato
desfiar a meia calça.
Os passageiros formam
duas filas para embarcar:
à esquerda todos os que roem as unhas
e à direita os que tem medo de avião.
A aeromoça
cochila durante o voo
(espero que o piloto
tenha dormido bem).
O comandante
anuncia que em breve
sua filha vai casar.
Todos os passageiros
entre as fileiras quinze e vinte e dois
cumprimentam o comandante.
Após alguns avisos
sobre o traje apropriado
para o casamento
pousamos em um destino.
Desembarco e levo
os meus pertences
para o próximo avião.
Sérgio Q Medeiros
e o preço do café
está nas nuvens.
A moça da companhia aérea
veste um bonito uniforme,
pena que deixou o gato
desfiar a meia calça.
Os passageiros formam
duas filas para embarcar:
à esquerda todos os que roem as unhas
e à direita os que tem medo de avião.
A aeromoça
cochila durante o voo
(espero que o piloto
tenha dormido bem).
O comandante
anuncia que em breve
sua filha vai casar.
Todos os passageiros
entre as fileiras quinze e vinte e dois
cumprimentam o comandante.
Após alguns avisos
sobre o traje apropriado
para o casamento
pousamos em um destino.
Desembarco e levo
os meus pertences
para o próximo avião.
Sérgio Q Medeiros
quarta-feira, 21 de março de 2012
Ritmo dissoluto
Me enfeito
quando é carnaval.
Vou a bailes,
conheço máscaras
e pouco durmo.
Toco bocas
tão ansiosas
quanto a minha.
Muito pouco
tenho guardado
dessas bocas.
Nesses dias,
minha mulher
fica com um jeito
triste nos olhos,
mas permanece comigo.
Joana compreende
que o carnaval
logo passará.
Sérgio Q Medeiros
quando é carnaval.
Vou a bailes,
conheço máscaras
e pouco durmo.
Toco bocas
tão ansiosas
quanto a minha.
Muito pouco
tenho guardado
dessas bocas.
Nesses dias,
minha mulher
fica com um jeito
triste nos olhos,
mas permanece comigo.
Joana compreende
que o carnaval
logo passará.
Sérgio Q Medeiros
quarta-feira, 7 de março de 2012
Casulo
Escrevo palavras
para me esconder.
Procuro abrigo
nos meus versos.
Construo um casulo
com as mais belas letras
e nele dorme agora
uma triste borboleta.
Sérgio Q Medeiros
para me esconder.
Procuro abrigo
nos meus versos.
Construo um casulo
com as mais belas letras
e nele dorme agora
uma triste borboleta.
Sérgio Q Medeiros
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